sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A Você

Você que me insulta, disfarçadamente,
Você que não me digere por mais que tente,
Você que não consegue me amar,
Lamento...
Ter...
Que contigo topar.
O pior cego, dizem, é aquele que não
quer enxergar,
Seus defeitos?
Meus defeitos?
Nossos defeitos?
Lamento...
Não tenho cautela,
Sou indigesta...
Não posso agradar a todos.

(Tatá - Em: Momento Literário)

Quero dividir-me!

Meu corpo deve ficar aqui.
Minha cabeça deve viajar.
Minhas mãos, entrego à poesia.
Meus ouvidos, à música.
Minhas pernas, não as fincarei em lugar algum,
elas devem correr o mundo.
Meus olhos ficarão fechados,
porque quero ser guiada apenas pelos meus sentidos.
Meus braços devem agarrar as coisa que escapam do meu coração, porque este sim, tentarei deixá-lo preso à boa poesia.
(Tatá - Jardim/Ce)

Estado de Graça

E eu, que andava na escuridão,
Tropeçando na minha dor,
De repente, você veio me acontecer.
Estou em estado de Graça.
Vou dormir querendo acordar
pra de novo conviver com você,
Luz que habita em mim,
Já não és mais fantasia,
És, agora, o que há de mais concreto.
E, eu sou, agora, mais mulher.
(Tatá / Fevereiro de 2003)

Meu Filho Querido



Hoje, eu conheci dois novos seres humanos.
Um deles invadiu a minha vida,
espalhou sua presença por toda a minha casa,
Meu coração bateu e fez a maior festa do mundo,
E era um ser que eu não conhecia.
Quando olhei, pela primeira vez, o rostinho dele,
estava vendo uma pessoa que ia fazer parte da minha vida para sempre.
Este ser humano, que acabara de conhecer, era meu filho.
E o outro?
O outro era Eu. Finalmente, conhecendo a mágica da vida.
(Tatá - 08 de Fevereiro de 2003)

A Razão e a Diferença

Mas, com você!
Quem me explicará a razão desta diferença?
Um dia, vimo-nos, estranhamente vivemos e separamo-nos,
a frio,
sem dor, porque não houvera paixão nenhuma;
Mordeu-me apenas algum despeito e nada mais.
Correm anos...
Torno a vê-lo, damos dois ou três giros de olhares,
e ei-nos a amar um ao outro com delírio.
Tu chegas, diferente... eu, também,
mas, nós somos, substancialmente, os mesmos.
E eu, à minha parte, não me tornara mais mulher.
Quem me explicará a razão desta diferença?
(Tatá)

Ainda andas por aí?

Quando passavas,
ficava um fermento de desassossego em mim.
Eu não reconhecia a ti, que subitamente,
se punha a olhar-me.
E, então, desaparece sem deixar pistas
de onde devo procurar-te, e com uma
inexplicável tristeza no coração
eu te pergunto:
-Ainda andas por aí?

Poema Adolescente

Quero Estar sozinha!
Quero Ficar sozinha!
Quero Ser sozinha!
Estar???
Ficar???
Ser???
Não. Não quero nada.
Quero uma conclusão, apenas.
Ignoro a moral, a estética, as tradições...
Quero Ser fútil, porque não posso Ficar nem Estar fútil.
O que importa para mim Ficar ou Estar
perfeitamente,
Se não sou perfeita, se não pertenço a isto?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes a vontade, a todos.
Assim, como sou, tenham paciência!
Não me peguem no braço,
Deixem-me Ir sozinha, quero Estar sozinha.